A partir daí Anne Marie adquire dois persas - um Shaded Silver e um Creme - e constata que pouco se sabe a respeito de gatos, e portanto, incumbe o Bernard, em suas viagens de negócios ao exterior, que procure por literaturas. E é nestas andanças, em Paris, que acaba conhecendo a Madame Ravel, membro da diretoria da FIFe - Fédération Internationale Feline - que viria a ser a mentora e apoiadora do grupo de criadores do Clube Brasileiro do Gato, com a fundação da entidade em 1972, Anne Marie torna-se a primeira presidente do CBG.
Começa então o trabalho de controle e registro dos gatos de raça nascidos no Brasil, bem como, aprimoramento do tipo dos gatos nacionais, bastante defasados com relação aos europeus.
Hoje, passados mais de trinta anos, o Gatil Tshyphu é considerado como uma referência no meio dos "gateiros", e um dos locais de criação de gatos absolutamente dentro dos padrões das raças.

Anne Marie, que já criou raças como Siamês, Abissínio, Oriental, Devon Rex e Britsh, ainda hoje continua criando os Sagrados e Persas, e já perdeu a conta de quantos prêmios ganhou, tais como, "Best in Show", "Best of the Best" e "Gatil do Ano". Não há exposição em que pelo menos um de seus gatos ganhe um prêmio - a menos que ela participe como juíza e não como expositora, aliás, merecidamente ela é nossa 1ª juíza internacional, e de maior prestígio junto aos Clubes aqui no Brasil.
Um Dia no TSHYPHU
São seis horas da manhã, Lourdes e Lordelina começam a limpar os "toilletes" (caixas com granulado higiêncio e papel) das quartoze "salas" que abrigam os gatos. São compartimentos de 2x3 metros, com uma prateleira em alvenaria e portas duplas de vidro e tela de arame, para proteger do frio ou arejar no verão.
Feita a limpeza mais urgente, as fêmeas e filhotes maiores são soltos em espécies de "solarium", e se inicia um rodízio dos machos, soltando separadamente cada macho para que dê seu passeio pelos jardins da casa.
Enquanto os gatos ficam se espreguiçando ao sol, Anne Marie e suas assistentes aproveitam para iniciar a limpeza diária de todo o Gatil e de seus ocupantes.
Cada gato passa por uma inspeção diária, onde são penteados, seus olhos e ouvidos limpos e examinados para detectar em tempo qualquer problema de saúde. Neste momento os filhotes e gatas prenhes recebem suas doses diárias de vitaminas ou complementos. Para as gatas com ninhadas, observa-se o crescimento dos filhotes para assegurar que estão mamando o suficiente, e com bom desenvolvimento. Este é também o momento de dar e receber muito amor destes animais tão bonitos e companheiros.
Ao longo do dia ainda é preciso alimentar os gatos - os adultos três refeições, e os filhotes cinco.
Isso sem falar dos banhos, que todo dia são dados em pelo menos três gatos. E não podemos também esquecer que os gatos que participam de exposições tomam banhos semanais e cuidados diários com a pelagem.
Às três da tarde, quando as assistentes vão embora, os gatos são recolhidos, colocados nos seus "dormitórios" e recebem a última refeição do dia - a dos filhotes, é a própria AnneMarie que dá à noite.
A criação de gatos, principalmente dos de pêlos longos, é muito trabalhosa. Desde o nascimento da ninhada, até a entrega dos gatinhos aos seus novos proprietários, por cerca de dois a três meses, o trabalho é intenso, pois há sempre uma preocupação em saber se estão todos mamando direito, se a mãe os mantém limpos, se estão se alimentando bem durante o processo de desmame, e se estão aprendendo a fazer xixi e cocô no lugar certo.
Todos estes cuidados diários são necessários e imprescindíveis para preservar a boa saúde e a higiene dos gatos, pois caso contrário, "eles se vingam adoecendo e até morrendo", diz Annie.
Apesar de todo este trabalho, a grande recompensa do criador, é a convivência com os gatos e quando algum deles ganha títulos e é premiado.